domingo, 11 de setembro de 2011

simetria


com alguma arma qualquer na mão, ele condena o resto da humanidade
mata uma mãe e chora quando a própria mãe é morta
implorando a Deus um motivo
perdendo a fé na justiça divina que antes havia acreditado o ter escolhido
nunca aconteceram falhas, além de algumas vidas jogadas num campo qualquer
além da dignidade de alguns

mas chora, como se não soubesse
chora, achando que é o único no mundo a sentir dor
achando que ninguém entende
querendo que alguém tenha pena de seu sofrimento
e o livre da maldição da morte do amor de alguém
alguém dele, não alguém de outro

- ele era feroz, ria enquanto semeava balas no corpo dos outros
ria enquanto alguém chorava até morrer
estuprava uma avó, uma mãe
matava um filho e ria
via sangue e ria
era feroz, um animal

que tem vontades e sonhos e desejos humanos agora
humano agora, como alguém foi um dia na mira de sua arma
como alguém implorou para continuar sendo
em algum lugar onde alguma bala varou a cabeça de alguém
lá dentro encontrou laços sanguíneos
lembranças felizes sanguíneas

ele chora no caixão da mãe e pede a Deus para dar sentido a essa simetria

2 nós:

FOXX disse...

adorei esse verso: "ele era feroz, ria enquanto semeava balas no corpo dos outros"

Arthur Dantas disse...

os norte-americanos acharem que são escolhidos por Deus só dá nisso.